Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Liberdade. Sempre.

por alho_politicamente_incorreto, em 25.04.15

25 de abril.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

Juiz diz que atamancou texto de acórdão.

por alho_politicamente_incorreto, em 21.04.15

Segundo noticia, em 2 de abril passado, o diário digital “Observador”, um juiz da Relação de Guimarães admitiu que «atamancou» o texto de um acórdão, alegando não ter tempo para ir para bibliotecas, nem lhe sobrar dinheiro para comprar um livro só para um processo.

Por isso, adianta aquele diário online, o juiz disse que optou por uma redação que «vai à volta», sem tocar em conceitos do Direito Administrativo, que confessa «de todo» não dominar. Numa adenda ao projeto de um acórdão, que terá sido inadvertidamente publicada na base de dados jurídicos do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça, o juiz explica por que é que não fez citações de jurisprudência para sustentar a decisão vertida nesse mesmo acórdão.

Em causa estará um processo do Tribunal Judicial de Valença, relacionado com alegada fraude em obtenção de subsídio e no qual o Gabinete para os Meios de Comunicação Social queria ser admitido como assistente. O caso chegou ao Tribunal da Relação de Guimarães, que indeferiu a pretensão daquele gabinete, por acórdão de 23 de março, entretanto consultado pela Lusa no website do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça.

«Não citei, porque só cito o que leio, e com o atual volume de trabalho não tenho tempo para ir para bibliotecas, nem me sobra dinheiro para ir comprar um livro só para um processo», lê-se na adenda, que foi publicada conjuntamente com o acórdão.

Considerando até que ganho, enquanto professor do ensino público, cada vez menos, trabalhando cada vez mais ao ponto de sacrificar consecutivos fins-de-semana em família, abomino em mim esta incapacidade para “atamancar” o exercício do meu ofício. E, confesso, também não me sobra dinheiro ou tempo para sequer estudar metade do inesgotável vigor legislativo da tutela…

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sobre os incêndios no concelho de Albergaria-a-Velha.

por alho_politicamente_incorreto, em 20.04.15

A praga dos incêndios – Tudo começou pelas 06H49 (!) do dia 1 de abril quando, em Nogueira (Sever do Vouga), deflagrou um incêndio florestal que viria a alastrar-se a Albergaria. Contando com ajuda decisiva de ventos fortes, o fogo lograria ter múltiplas frentes ativas, obrigando a considerável alocação de meios humanos e materiais: mais de 420 bombeiros, apoiados por 120 viaturas e dois helicópteros pesados de combate. De Vila Nova de Fusos, passando por Valmaior, até à Senhora do Socorro, o pânico e a aflição ganharam terreno deixando esta Páscoa inapelavelmente marcada pelos funestos aromas das chamas.

 

Falta estratégia – Sabe-se há muito que os incêndios serão o fator de maior perda de valor da floresta em razão quer do risco que introduzem no investimento, quer da degradação ambiental que impõem. Na verdade, os incêndios florestais são tidos como um dos fatores com maior peso na deterioração da qualidade do meio ambiente dos nossos ecossistemas. Ainda que nem sempre materializada com a desejada eficácia, a importância atribuída à avaliação de riscos de fogos florestais tem vindo a aumentar. Infelizmente, Portugal é um dos países que (ainda) apresenta maiores problemas em relação aos incêndios florestais na Europa.

Contudo, a falta de estratégia e de investimento para a dinamização e valorização do espaço rural faz com que se verifique uma propensão crescente para a desertificação humana dos espaços, originando precariedades várias. Complementarmente, verifica-se a diminuição da atividade agrícola, e da mão-de-obra rural, a divisão das propriedades em pequenas parcelas, com a correspondente pluralidade de proprietários e abandono de propriedades, que potenciam toda a sorte de perigos.

Por tudo isto, a prevenção e a valorização do espaço rural e florestal são fatores crescentemente inseparáveis em matéria de defesa da floresta contra os incêndios.

 

Albergaria condenada aos caprichos das chamas? – Todos os anos, o nosso concelho é severamente fustigado pelos fogos florestais. Em consequência, surge a interrogação: estaremos perante uma inevitabilidade? Albergaria terá mesmo de, todos os anos, se vergar à mórbida convivência com os incêndios?

Não ignorando a perversa influência da ação criminosa, que cabe às autoridades judiciais investigar e punir, há riscos e circunstâncias que podem (e devem!) ser minorados. Desgraçadamente, continuamos a dar grande realce aos meios de intervenção de grande escala como autotanques de grande capacidade e hidroaviões, sendo negligenciada a fase da prevenção e da rápida intervenção. Defendo que os equipamentos de combate aos incêndios deverão ser o último recurso, a acionar somente quando a prevenção e as equipas de primeira e rápida intervenção fracassassem na sua missão. Enquanto imperar esta lógica de atuação, Albergaria continuará a assistir a grandes catástrofes florestais.

Exige-se maior e melhor articulação entre todas as autoridades que interagem na regulação deste setor específico. A Câmara Municipal deve ser (muito) assertiva na definição de orientações para a proteção e promoção da área florestal do concelho, avaliando, em permanência, a nossa vulnerabilidade aos incêndios florestais e monitorizando a implementação de medidas e ações de curto, médio e longo prazo, no âmbito da prevenção, do combate e da defesa da floresta contra os incêndios florestais.

Também aqui voltamos ao gasto mas sábio chavão: AGIR em vez de REagir.

 

Turismo de catástrofe – Com ostensiva inconsciência, muitos portugueses expõem-se ao ridículo. E até mesmo ao perigo. Enquanto procurava avaliar racionalmente a situação, adotando posturas conducentes à salvaguarda de alguns bens, fui inusitada testemunha do corrupio de curiosos e mirones que vicejaram para incredulidade dos mais avisados. Munidos de uma singular parafernália de gadgets, a denunciarem estranhas opções em tempos de crise, cedo ocuparam qualquer réstia de área disponível. Abandonando as viaturas em rotundas e passeios, pavonearam-se com os filhos, muitos deles de tenra idade, como quem apreciava um qualquer espetáculo de exceção. E valeu quase tudo, para exasperação de bombeiros e policiais. E com o mesmo fulgor com que chegaram, abandonaram a rua da Senhora do Socorro denunciando uma ocupação selvagem do espaço público. Não conhecendo carteira ou condição social, este comportamento evidencia uma degradação moral e cívica que me entristece e preocupa. Há quem pareça dedicar-se a este turismo de catástrofe, apreciando doentiamente a tristeza e a aflição alheias, forçando o contacto com uma qualquer câmara de televisão. Mas se nos lembrarmos que é este mesmo povo que escolhe e decide quem nos (des)governa, talvez fiquemos a perceber melhor o trágico destino que temos vindo a gizar para as gerações vindouras.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quatro anos de Troika.

por alho_politicamente_incorreto, em 19.04.15

E de nada valeu, afinal, impingir o “frango de churrasco” como «o novo leitão dos pobres» porque nem assim os sacrossantos mercados nos tiram do lixo a que nos votaram

 

No passado dia 6 de abril, contaram-se quatro anos desde o início do resgate financeiro a Portugal. Entre 2011 e 2014, ficaram em risco de pobreza ou exclusão social mais de 200 mil pessoas. Depois de concluído, em junho de 2014, uma das críticas mais cínicas da Troika foi a forma como o Governo lidou com a pobreza. No País dos «cofres cheios» e em que alguns garantem viver-se «muito melhor», muitos mais perdem o mínimo de dignidade. Contas feitas: Portugal tem mais 210 mil pessoas em risco de pobreza ou exclusão desde 2011!

Entretanto, assistimos à implosão da pretensa elite nacional, que triturou famílias e dinastias outrora inexpugnáveis, com ruturas e falências a denunciarem mediocridades até então mascaradas. Perseguiram-se os pensionistas e, acima de tudo, os servidores públicos, selvaticamente imolados para satisfação dos mesquinhos e invejosos. Contando com o colaboracionismo de uma imprensa que cavalgou, por meio de manchetes vergonhosas, todas as campanhas de ódio social urdidas contra as funções sociais do Estado, podemos hoje dizer que temos menos Educação, menos Justiça, menos Saúde e menos Segurança Social.

Portugal, de novo, no seu pior. E de nada valeu, afinal, impingir o “frango de churrasco” como “o novo leitão dos pobres” porque nem assim os sacrossantos mercados nos tiram do lixo a que nos votaram.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

A minha Opinião no Jornal Região de Águeda.

por alho_politicamente_incorreto, em 17.04.15

Albergaria e os incêndios

aqui

Autoria e outros dados (tags, etc)

A minha participação no debate sobre a Monodocência, em Leiria.

por alho_politicamente_incorreto, em 16.04.15

Monodocência no 1.º Ciclo?

Outro regime de docência? Qual?

 

Flyer do debate disponível aqui

IMG_1378.JPG 

Ontem, dia 15, pelas 21 horas, participei, a convite de Alcino Duarte, Diretor do Agrupamento de Escolas Domingos Sequeira, de Leiria, no debate subordinado ao tema «Monodocência no 1.º Ciclo? Outro regime de docência? Qual?»

Na oportunidade, juntei-me a mais três personalidades: Filinto Lima (Vice-Presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas), Paula Carqueja (Presidente da Associação Nacional de Professores) e David Justino, Presidente do Conselho Nacional de Educação e ex-Ministro da Educação.

O debate, que lotou a o auditório da Escola Secundária Domingos Sequeira, a roçar as duas centenas de pessoas, foi moderado pelo Diretor do Jornal de Leiria (JdL), João Nazário.

Marcaram ainda presença os Diretores dos demais Agrupamentos de Leiria, o diretor do Centro de Formação, o Presidente da União de Freguesias de Parceiros e Azoia, José Carlos Matias, os responsáveis pelas Associações de Pais e a vereadora da Educação da edilidade local, Anabela Graça.

Num primeiro momento, enquanto oradores, tivemos oportunidade de abrir as hostilidades com uma breve intervenção inicial seguida por um debate. O derradeiro momento foi marcado por questões colocadas a partir da plateia.

IMG_1371.JPG

O essencial da minha intervenção

“Monodocência ou outro modelo de docência no 1.º Ciclo do Ensino Básico?” – eis a questão que aqui se nos é colocada hoje. A minha resposta é: SIM. Definitivamente, a monodocência.

Contudo, sei que muitos se perguntarão se continuará a fazer sentido continuar a ter um único professor em cada turma do 1.º Ciclo do Ensino Básico? Será preferível manter a Monodocência ou ter um docente para cada área curricular? Será que a transição do 1.º para o 2.º Ciclo não seria mais pacífica com mais professores no primeiro nível de ensino? Ou, como já alguns sugeriram tendo por referência outros modelos europeus, também nos podemos questionar se a solução não passaria por prolongar a monodocência até ao 6.º ano?

Não é por acaso que a Monodocência é o regime que conhecemos em Portugal desde há longos anos e também em outros países que nos recordamos de trazer à colação sempre que buscamos os melhores exemplos, as melhores práticas. Arrisco-me até a dizer que será das poucas coisas que funcionará no sistema educativo.

Na minha opinião, a Monodocência comporta várias vantagens:

  • Garantia e sinónimo de relações afetivas mais sólidas, melhor estruturadas e garantidamente estruturantes. Não duvidem, a monodocência, no tempo e sociedade atuais, é cada vez mais importante pois garante-se às crianças um adulto qualificado e altamente preparado para ser uma referência. As crianças estão a crescer, a desenvolverem-se afetiva e socialmente, e precisam de um acompanhamento próximo e transversal.
  • Gestão mais eficaz e consequente do tempo letivo.
  • Maior e melhor articulação dos saberes entre as diferentes áreas.

De resto, lembremos o que está definido no decreto-lei sobre o perfil de desempenho do professor do 1.º Ciclo do Ensino Básico: «No 1.º Ciclo, o ensino é globalizante, da responsabilidade de um professor único, que pode ser coadjuvado em áreas especializadas». É o que diz a lei. (Decreto-Lei n.º 241/2001, de 30 de Agosto)

E de nava vale pretender ignorar o óbvio: o 1º Ciclo, em conjunto com o pré- escolar, sempre tiveram uma especificidade distintiva: a monodocência. Também aqui existe uma vantagem histórica que resiste, pelos resultados acumulados ao longo de décadas, à sanha experimentalista que temos testemunhado na Educação. E, tenhamos memória, quantas maldades têm sido cometidas à custa do discurso que defende a “mudança”, a suposta “inovação”, o “novo” como sendo necessariamente melhor, qual última “Coca-Cola no deserto”, sempre em prejuízo da estabilidade de modelos que já provaram ser fiáveis?...

Na ótica de quem, como eu, está no terreno, com as crianças, com as suas famílias, é hoje dado como adquirido que têm sido viabilizados demasiados balões de ensaio que fazem do 1.º Ciclo a antecâmara privilegiada para toda a sorte de experiências. Desde a introdução da noção de “escola a tempo inteiro”, sem – para surpresa dos mais incautos - continuidade nos níveis de ensino subsequentes, até outras crueldades impostas com ostensiva insensibilidade.

 

Para mim, o modelo do professor único está longe de estar esgotado. Acho até que as exigências organizativas da Escola atual, tida e encarada como uma organização a quem se exige qualidade indiscutível, reclama, para seu benefício, para benefício geral do sistema educativo - assente nas virtudes da previsibilidade e da rotina - a manutenção deste paradigma de Professor do 1.º Ciclo. Em defesa da qualidade das aprendizagens – logo, em defesa das crianças – entendo que a Monodocência é o modelo que melhor satisfaz os interesses e as necessidades dos nossos alunos.

No entanto, importa levar em consideração alterações legislativas que têm, a pretexto de uma gestão otimizada dos diferentes recursos (conforme o exemplo do Despacho Normativo n.º 6/2014, de 26 de maio) têm forçado a assunção de eventuais soluções alternativas.

Parece evidente a intenção da tutela em dotar a Escola de autonomia pedagógica e organizativa na gestão, definição e desenvolvimento de um currículo mais adequado às especificidades de cada Projeto Educativo.

E aqui entramos em matérias conexas à da Monodocência, que não podem ser varridas para debaixo do tapete. Se, por exemplo, querem acabar com a Monodocência, que o assumam. Que o assumam!

O que não podemos é manter esta nebulosa em que a Monodocência está, ao que parece, severamente mitigada ou mutilada por consecutivas alterações legislativas, mas persiste no papel

 

Daí que já se tenha experimentado a “especialização” de professores, um leciona Matemática outro Português… Experimentou-se, ainda, introduzir docentes das áreas de Expressões lecionando Expressão Plástica, Expressão Musical e Expressão Físico-Motora, enquanto o professor titular se desloca para outra sala de aula para viabilizar apoio educativo. E, note-se, há ainda a monodocência coadjuvada, onde professores de áreas específicas apoiam o professor titular nessas áreas.

Enfim, não se pode dizer que não exista vontade de experimentar…

Infelizmente, e no caso concreto da organização dos horários, tenho tomado conhecimento de muitos disparates. Maus exemplos de autonomia. Desde agendar, ao início da manhã, atividades de enriquecimento curricular para colocar o professor titular de turma e lecionar Português ou Matemática ao final da tarde, parece valer tudo para agilizar algumas opções que, em caso algum, visam salvaguardar os interesses dos alunos.

Compreendo que, para quem é responsável pela gestão, o fim da Monodocência se revista somente de vantagens. Sei até que existem forças sindicais que já assumiram esse caminho. Mas são as crianças, os seus interesses e necessidades, que devem animar as nossas opções.

Na ótica de quem, como eu, está no terreno, com as crianças, com as suas famílias, é hoje dado como adquirido que têm sido viabilizados demasiados balões de ensaio que fazem do 1.º Ciclo a antecâmara privilegiada para toda a sorte de experiências. Desde a introdução da noção de “escola a tempo inteiro”, sem – para surpresa dos mais incautos - continuidade nos níveis de ensino subsequentes, até outras crueldades impostas com ostensiva insensibilidade, para não dizer desconhecimento, atestam a menorização a que o 1.º Ciclo tem sido votado. Até nos agrupamentos, o 1.º Ciclo parece invariavelmente sub-representado.

E aqui entramos em matérias conexas à da Monodocência, que não podem ser varridas para debaixo do tapete. Se, por exemplo, querem acabar com a Monodocência, que o assumam. Que o assumam! O que não podemos é manter esta nebulosa em que a Monodocência está, ao que parece, severamente mitigada ou mutilada por consecutivas alterações legislativas, mas persiste no papel, sem qualquer enquadramento específico.

Como sabem, o reconhecimento por desgaste tão intenso e rápido como o dos Professores do 1.º Ciclo traduzia-se num regime especial de aposentação, que foi entretanto revogado. Com a sofreguidão de tudo uniformizar ou igualizar, parece que se esqueceram de colocar os Professores do 1.º Ciclo num plano de igualdade com os seus pares. É que, preto no branco, o número 1 do Art.º 6.º do Despacho Normativo n.º 6/2014, está lá uma “especificidade” que não foi revogada ou extinta: a carga letiva semanal. Sem qualquer compensação, a carga letiva semanal para o pessoal docente da educação pré-escolar e do 1.º Ciclo é de 1500 minutos e nos restantes ciclos de 1100 minutos.

Convenhamos que não é assim que se estima e respeita profissionais a quem o país muito deve.

Em resumo e para concluir: a Monodocência tem méritos e virtudes que aconselham a sua preservação e manutenção. Não é um modelo fechado. Pode e deve ser melhorado e aperfeiçoado. Contudo, cabe ao poder político assumir, com clareza e lealdade, o que pretende.

Nesta perspetiva, seria bom que, de uma vez por todas, a Escola fosse encarada como um espaço nobre, onde as crianças devem ter tempo e espaço para brincar em detrimento daquele visão em que a Escola é somente um espaço de trabalho contínuo e mecanizado. E, já agora, deve tratar os professores do 1.º Ciclo, bem como os Educadores de Infância, com a justiça e com o carinho de que há muito são credores.

IMG_1374.JPG

As minhas impressões

No encontro preparatório que antecedeu o debate, o moderador, constatando a aparente convergência da maioria dos oradores patrocinando a extinção da monodocência, virou-se para mim e, num misto de graça polvilhada com aparente piedade, perguntou: «José, perante isto… aguenta-se?»

Respondi-lhe, por referência instintiva a uma frase proferida por um conhecido banqueiro português que pouco prezo: «Aguento, aguento!»

David Justino afirmou, contextualizando, as virtudes históricas e pedagógicas da monodocência, tendo esclarecido: “O fim da monodocência?! Só acabará se formos na conversa de teóricos que não me convencem”.

 

João Nazário, jornalista experimentado com um trabalho assaz meritório no JdL, percebera que estaria em acentuada desvantagem. Na verdade, nem tem sido hábito estar em minoria na maior parte das situações quotidianas. Contudo, neste caso, que tenho por lapidar quando se afirma que nem sempre a maioria faz a razão, aceito, com esclarecida noção da nobreza dos fundamentos que sustentam a minha posição, estar em contracorrente. Faço notar que David Justino não participou neste encontro preparatório, por imperativos de agenda, juntando-se a nós apenas no debate.

Coube a Paula Carqueja ser a primeira a intervir. Defendeu uma atualização do modelo vigente, assente na coadjuvação, enfatizando, promovendo e louvando os méritos de tal opção, mormente as vantagens do trabalho colaborativo. Ressalvou, contudo, a necessidade de manter a “titularidade de turma”.

Filinto Lima tendeu a consentir, tendencial e progressivamente, o fim da monodocência, usualmente compatibilizado com aquilo que designou de "uma maior autonomia das escolas”, obviamente, na ótica de quem assegura a gestão.

Por fim, e para surpresa dos mais distraídos, David Justino afirmou, contextualizando, as virtudes históricas e pedagógicas da monodocência, tendo esclarecido: “O fim da monodocência?! Só acabará se formos na conversa de teóricos que não me convencem”. Em complemento, teve ensejo de sugerir um modelo de “monodocência pura e dura nos dois primeiros anos de escolaridade”, que pode ser aberto nos anos subsequentes na área das Expressões. Na ocasião, alertou, com alguma preocupação, "temos é um problema por resolver com o 2.º Ciclo".

O debate acabaria por demorar pouco mais de três horas, com intervenções muito assertivas de uma plateia que aproveitou para se referir a matérias ligadas à monodocência como os programas, as metas curriculares, a carga letiva dos alunos no 1.º Ciclo e a forma como as AEC estão atualmente a ser implementadas.

Em conclusão, eu, que estaria em desvantagem, acabei o debate com a nítida, porque ostensiva, impressão que a monodocência era, afinal, defendida pela maioria dos presentes. E pelas melhores razões, sempre na lógica de quem quer o melhor para os alunos em detrimento daquela abordagem corporativa de quem apenas procura completar horários de professores sem as habilitações necessárias para lecionar em tão determinante nível de ensino.

Voltei a casa revigorado. Se todos, incluindo os sindicatos, fizessem a sua parte…

Autoria e outros dados (tags, etc)

apresentacao.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

Perspectivas.

por alho_politicamente_incorreto, em 13.04.15

1.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

Alteração das metas curriculares do 1.º Ciclo.

por alho_politicamente_incorreto, em 11.04.15

Para: partidos políticos, governo, comunicação social

«Esta petição tem como objectivo conseguir que haja uma alteração das metas curriculares do 1.º ciclo.
Os novos programas assim como as suas metas, que foram aprovadas no despacho n.º 5306/2012, de 18 de abril de 2012, são uma atrocidade cometida contra as crianças que estão no ensino básico.
A matéria é dada em velocidade e os seus conteúdo não são apreendido correctamente e muito menos consolidados.
Numa sociedade onde a preocupação com a Educação deveria ser vista como pilar principal, preocupa-se em metas para ficar bem, num panorama utópico. Está-se a hipotecar o futuro do país, estamos a criar crianças que não têm tempo para brincar ou actividades lúdicas, que estão a ser pressionadas para aprender depressa e bem, crianças que se vão tornar frustradas, crianças que ainda agora começaram e já se sentem desmotivadas.
Por estes motivos é necessário levantarmos a nossa voz e nos fazer ouvir, assinem esta petição, será um primeiro passo.»
 
Disponível aqui

Autoria e outros dados (tags, etc)

Nova apresentação.

por alho_politicamente_incorreto, em 07.04.15

apresentacao.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pág. 1/2



Mais sobre mim

foto do autor


Google Tradutor


Repto


No meio da rua...


Alhadas passadas

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D

Assinantes de feed

ASSINE NOSSO FEED

Feed

Gadget by Feed Burner modificado por bloggerenciado

Links

Educação

Outros BLOGS

Recursos